A armadilha da Missa do Motu Proprio

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A ARMADILHA DA MISSA DO MOTU PROPRIO

Missa de Motu Proprio

Pelo Reverendo Padre Anthony Cekada
Traditional Mass, 7 jul. 2007.

Um “traço de identidade… Uma forma de encontro… Especialmente adequada para eles”. Uma “sacralidade que atrai muita gente.”
— Bento XVI, sobre suas razões para instituir a Missa do Motu.

“Legítima diversidade e diferentes sensibilidades, dignas de respeito… estimuladas pelo Espírito, que faz que todos os carismas se juntem em unidade.”
— João Paulo II, sobre a Missa Tradicional, à Fraternidade São Pedro.

“Tudo em seu sistema se explica por impulsos ou necessidades interiores.”
— São Pio X, sobre os modernistas e os sacramentos, Pascendi.

Em 7 de julho de 2007, Bento XVI publicou o Summorum Pontificum, o seu tão aguardado Motu Proprio permitindo um uso mais amplo da versão de 1962 da Missa Tradicional em latim. Sua ação não foi surpresa para ninguém. Ainda como Cardeal Joseph Ratzinger, já tinha falado várias vezes em favor da Missa antiga.

Eis aqui algumas disposições salientes de seu Motu Proprio e da carta que o acompanha:

  • A nova Missa de Paulo VI é a expressão “ordinária” da lei da oração (lex orandi), enquanto que a versão de João XXIII da antiga Missa é a expressão “extraordinária”. Elas são os “dois usos do único Rito Romano” (Motu Proprio, § 1).
  • Qualquer sacerdote pode rezar a Missa do “Beato João XXIII” privadamente. (§ 2)
  • Nas paróquias, onde houver um grupo estável de fiéis aderentes à precedente tradição litúrgica, o pároco acolha de bom grado as suas solicitações de terem a celebração da Missa de 62. (§ 5.1)
  • Tais celebrações podem realizar-se nos dias feriais; nos domingos e dias santos, também é possível uma celebração desse gênero. (§5.2)
  • As leituras da Escritura podem ser proclamadas em língua vernácula. (§ 6)
  • O Rito antigo pode ser usado, quando seja pedido, para casamentos e funerais (§ 5.3), e o pároco pode permitir usar os ritos antigos para a administração de outros sacramentos também. (§ 9.1)
  • O Bispo diocesano pode estabelecer uma “Paróquia pessoal” para ditas celebrações. (§ ‘0)
  • A nova Missa e a antiga não são dois ritos, senão um duplo uso de “um único e mesmo rito”. (Carta aos Bispos)
  • O Antigo Missal nunca foi “juridicamente ab-rogado e, por conseguinte, em princípio, esteve sempre permitido.”
  • Os dois ritos “se enriquecem mutuamente.”
  • “Novos santos e novos prefácios podem e devem ser incluídos no antigo.”
  • “Não há contradição” entre os dois ritos.
  • Sacerdotes de comunidades que aderem ao uso antigo “não podem, por principio, excluir celebrar segundo os novos livros.”

Então, agora que a Missa do “Motu Proprio” chegou finalmente, o que deveríamos fazer com relação a isso? Eis algumas considerações preliminares:

I. Aspectos Positivos

1. Admissão de um fracasso

Como seminarista na década de 1960, vivi a revolução litúrgica desde dentro, e desde então li comentários sobre a reforma formulados pelos mesmos que a dirigiram: Bugnini, Jungmann, Braga, Wagner, Patino, Botte, Vaggagini, Brandolini e muitos outros.
Naqueles dias para aqueles homens, não havia lugar para nenhuma questão sobre permitir a sobrevivência da Missa anterior ao Vaticano II, e nem sequer em bases restringidas. O novo rito da Missa no Missal de 1970 de Paulo VI se converteria na Missa do Rito Romano e ponto, e este seria um grande passo à frente para a Igreja.

Essa era a intenção do próprio Paulo VI. Em novembro de 1969, pouco antes que sua Missa Nova fosse introduzida nas igrejas do mundo inteiro, ele desenvolveu este tema em duas audiências gerais.

“[A reforma litúrgica] é um passo adiante para a genuína tradição [da igreja]. É um sinal evidente de fidelidade e vitalidade… não é uma moda, nem um experimento fugaz ou opcional, invenção de alguns diletantes… esta reforma põe fim a incertezas, discussões e abusos arbitrários. Nos chama de regresso a aquela uniformidade de ritos e atitudes que é própria da Igreja Católica…”

“A diretriz fundamental da Missa ainda é tradicional, não só teológica, senão também espiritualmente. Certamente, se o rito é realizado como se deve se descobrirá que o aspecto espiritual tem maior riqueza”

“Não falemos, pois de uma nova Missa, senão de uma nova era na vida da Igreja”.

A nova era agora se acabou. Durante quatro décadas de “maior riqueza”, as ordenações nos EUA declinaram 72%, o ingresso nos seminários em 90%, seminários em 66%, Irmãs Educadoras em 94%, matrículas em escolas católicas em 55% e a assistência à Missa perto de 60%.

Na década de 1990 uma nova geração de clérigos começou a se afastar do rito de Paulo VI e a olhar com anseio o Missal Tridentino. Formados em diversos seminários diocesanos, procuraram ornamentos antigos, fizeram cursos sobre as rubricas anteriores ao Vaticano II, celebraram a Missa Tradicional às escondidas e geralmente esperavam algo mais católico do que se achava no novo rito.

Se a Nova Missa houvesse sido um êxito, isso nunca teria acontecido. A Missa de Motu Proprio é uma admissão do fracasso do Novus Ordo.

2. Remover o estigma

Desde 1964 até 1984, a hierarquia da Igreja modernista tratou aqueles que queriam a Missa Antiga como párias, loucos e neandertais. Porém. o indulto de 1984 e depois a constituição da Comissão Ecclesia Dei em 1988, removeram um pouco do estigma de promover a “Missa em Latim”. Para muitos, a Missa do Motu Proprio de Ratzinger legitima ainda mais as práticas litúrgicas anteriores ao Vaticano II.

3. Uma causa de divisão no campo inimigo

Apesar das elaboradas garantias que Ratzinger tratou de estabelecer, a Missa de Motu Proprio, inevitavelmente causará conflito entre os seguidores do Vaticano II. Não sei o que se passa em outras partes do mundo, mas provavelmente posso prever a forma em que isto se desenvolverá nas zonas urbanas dos EUA, onde reside atualmente a maioria dos católicos do Novus Ordo. Ali, em Igrejas arquitetonicamente indistinguíveis de cadeias de restaurantes e agências bancarias, comitês de leigas “autorizadas” e agressivas, assalariadas ou voluntarias, junto com as ocasionais e liberadas “religiosas”, agora ditam as políticas e práticas paroquiais. Elas e seus concidadãos gostam da Missa e da religião fácil do Vaticano II tal como ela é. Se um Neo-vigário (típico “Padre Pepe” com mais de 30 anos, obeso e em sua segunda profissão) anunciasse que, graças ao Motu Proprio, ele estará exibindo todo o arsenal litúrgico antigo que comprou no “e-bay” e começasse a celebrar a Missa antiga em latim aos domingos às 10 da manhã, uma insurreição em proporção paroquial, em que não faltariam reclamações ao Bispo e uma massiva campanha midiática, seria organizada pelo Soviet feminino. Multipliquem isto em umas quantas paróquias por diocese e poderão ver os conflitos que a Missa de Motu Proprio poderia causar ao inimigo. Uma casa dividida não pode manter-se em pé, e as divisões que aprofundem a decomposição da nova religião só podem acelerar a restauração da antiga, quod Deus det!

4. Alerta aos tradicionalistas comprometidos

A maioria dos velhos tradicionalistas detesta qualquer modificação na Missa. Ratzinger, não obstante, deu a entender que há algumas mudanças que poderiam esperar em sua Missa de Motu Proprio local: festas de novos santos, prefácios novos e leituras em vernáculo; nem mesmo ficou claro se não haverá que usar inclusive o lecionário de Bugnini. Muito bem! Brincar assim com a Missa antiga fará que os velhos fiquem muito inquietos, os alertará sobre o jogo de Ratzinger (isso eu espero), e inclusive talvez os iniciem no caminho de pensar que modernistas como Ratzinger são o problema, e não a solução, para os verdadeiros católicos.

5. Esfregar a Missa Nova no nariz dos padres

Desde 1988 João Paulo II e Ratzinger aprovaram um grande numero de comunidades religiosas semitradicionalistas (Fraternidade São Pedro, Instituto Cristo Rei, Instituto Bom Pastor, etc.) às quais tem permissão para usar o Missal de 1962 e outros ritos anteriores ao Vaticano II. Isso resguardava muitos clérigos que detestavam a Missa Nova de serem forçados a celebrar-la.

Não mais. Ratzinger lança uma bomba: “Não é necessário dizer que, a fim de experimentar plena comunhão, os sacerdotes das comunidades que aderem ao uso antigo não podem, por principio, excluir celebrar de acordo com os novos livros. A exclusão total do novo rito não seria, de fato, coerente com o reconhecimento de seu valor e santidade.”

Novamente, que ótimo! Quanto mais os sacerdotes desses institutos se encontrem pessoalmente afrontados com o mal da Missa Nova, mais rápido se darão conta das irreconciliáveis contradições de sua própria posição.

6. Introdução às verdadeiras questões

Ainda que a Missa de João XXIII que Ratzinger autoriza seja uma versão mutilada da liturgia tradicional integral, ainda conserva o bastante da antiga para demonstrar que, em comparação, a Nova Missa de Paulo VI representa uma religião inteiramente nova, “centrada no homem”, como orgulhosamente proclamou um de seus criadores, o Padre Martin Patino.

Para muitos católicos, o caminho para se fazer tradicionalista começou quando encontraram uma Missa Tradicional em Latim pela primeira vez e a compararam com o rito neoprotestante celebrado em suas paróquias.

Com a Missa do Motu Proprio, a possibilidade de tais encontros se multiplica exponencialmente. Isto sem dúvida levará muitas almas sinceras e reflexivas a olharem da questão litúrgica ao problema maior, o doutrinal – as heresias do Vaticano II e os Papas pós-conciliares – e eventualmente abraçarão a única posição lógica para um fiel católico: o sedevacantismo.

II. Aspectos Negativos

1. Captados pelo subjetivismo modernista

Porque ainda pensam em antigas categorias religiosas católicas, os tradicionalistas que promoveram a Missa de Motu Proprio considerarão sua aprovação como uma clamorosa derrota para o modernismo. Na verdade, ocorreu outra coisa: com a Missa de Motu Proprio os modernistas agora terão a colaboração dos tradicionalistas incautos em seu próprio programa subjetivista.

O Papa São Pio X condenou o modernismo, porque (entre outras coisas) rejeitava o dogma e exaltava o “sentimento religioso” do fiel. E todos os pronunciamentos vaticanos que autorizam o uso da Missa Tradicional – desde o indulto de 1984 em diante – fazem-no sobre a base de categorias modernistas sorrateiras e subjetivas como “diferente sensibilidade”, “sentimentos”, “diversidade legítima”, “gosto”, “distintos carismas”, “expressões culturais”, “apego”, etc.. (1)

Ratzinger toca agora repetidamente neste tema: “apego”, “afeição”, “cultura”, “familiaridade”, “elementos de identidade”, “caro a eles”, “atração”, “forma de encontro”, e “sacralidade que atrai”. Tudo se reduz ao subjetivo. Digam os tradicionalistas que o promoveram o que disserem. Para Ratzinger, a Missa de Motu Proprio simplesmente os converte em uma cor a mais em seu arco-íris do Vaticano II.

2. Uma Capela lateral numa igreja Ecumênica

Como mencionamos repetidamente em outras ocasiões, a contribuição pessoal de Joseph Ratzinger a longa lista de erros do Vaticano II, é a sua heresia da “Frankenchurch” (Igreja Frankenstein). Para ele, a Igreja é uma “comunhão”: um tipo de igreja ecumênica, uma única igreja mundial, a qual pertencem igualmente católicos cismáticos e hereges, onde cada um possui “elementos” da igreja de Cristo, seja “plena” ou “parcialmente”. Segundo seu catecismo, todos fazem parte de um grande e feliz “Povo de Deus.”

Sob este teto, alguns gostam de coros luteranos, Missa com guitarra, canto gregoriano, comunhão na mão, “acólitas”, ministros eucarísticos leigos, liturgias “inculturadas” hindus e africanas, música mariachi. Outros (em comunhão parcial com Ratzinger) gostam de cantos ortodoxos sombrios, música rock, sacerdotisas, aromas e sinos anglicanos, cânones onde faltam as palavras de consagração, gritos no altar do tipo: “Aceita Jesus como seu salvador pessoal” e credos sem o Filioque.

Portanto, dificilmente surpreende que Ratzinger ofereça aos tradicionalistas a Missa do Motu e juntamente com ela uma ampla e cômoda capela lateral em sua Igreja Ecumênica. Simplesmente uma opção a mais…

E de fato o Padre Nicola Bux, um funcionário do Vaticano que esteve envolvido na redação do rascunho do Motu Proprio, chamou-o justamente assim: um “aumento das opções”.

E certamente há há um preço a pagar.

De acordo com o Motu Proprio de Ratzinger e a sua carta adjunta, o Novus Ordo – o sacrilégio ecumênico, protestante, modernista, que destruiu a fé católica em todo o mundo – é a “expressão ordinária da lei da oração da Igreja Católica”. A Missa de Motu Proprio dos senhores – a verdadeira Missa, como você preferiria chamá-la – é meramente “extraordinária”. A nova e a antiga são simplesmente dois usos do mesmo rito romano.

Se você aceita a Missa do Motu, você compra tudo isso e se converte em um membro assalariado da Igreja ecumênica mundialista de Ratzinger.

3. Rituais Católicos, Doutrinas Modernistas

Durante décadas os tradicionalistas marchavam ao grito de “E a Missa que importa!”. Mas ultimamente isto é apenas um slogan. Pode-se ir ao céu sem ter a Missa Católica, mas não se pode ir ao céu sem a Fé Católica. Agora Ratzinger lhes dará a Missa, mas ele lhes dará a fé? Aqueles que aceitarem sua generosa oferta, estarão livres para condenar o Novus Ordo, os erros do Vaticano II e os falsos ensinamentos dos Papas pós-conciliares?

Para descobri-lo, basta observar a Fraternidade São Pedro, o Instituto Cristo Rei e as demais organizações que já celebram a Missa antiga sob os auspícios da comissão vaticana Ecclesia Dei. Seus clérigos se atrevem, no máximo, a fazer alguma critica ocasional e amável sobre “deficiências” ou “ambiguidades” da nova religião. E hoje são homens vendidos. Sua principal preocupação será agora, semelhante a da “High Church”, manter o externo do catolicismo, especialmente seu culto. Mas o coração do catolicismo – a fé – desapareceu. Assim, enquanto um sacerdote neoconservador que oferece uma Missa do Motu pode agora sentir-se encantado cantando as antigas coletas com sua linguagem “negativa” sobre o inferno, a retribuição divina, os judeus, os pagãos, os hereges e demais, ele deveria recordar que o Vaticano II aboliu os pressupostos doutrinais sobre os quais estava embasada esta linguagem. (2)

Para o bom padre e sua congregação, a lex orandi que eles observam (a Missa Tradicional) não tem conexão alguma, de nenhuma espécie, com seu lex credendi oficial (a religião do Vaticano II).

Desde seus inícios no século XIX, o modernismo buscou criar uma religião que estivesse divorciada do dogma, mas que, não obstante, satisfizesse o “sentido religioso” do homem. É irônico que essa religião “auto-contraditória” e livre de dogmas esteja agora plenamente realizada no Motu Proprio da Missa de Ratzinger.

4. Os sacerdotes que não são sacerdotes oferecem Missas inválidas

“Uma vez que não haja mais sacerdotes válidos, eles permitirão a Missa em Latim”.
Esta foi a predição que fez em mediados da década de 1970, o padre capuchinho Carl Pulvemacher, um velho sacerdote tradicionalista que trabalhava com a FSSPX e era um dos editores de sua publicação estadunidense The Angelus.

Foi também profético. Em 1968 os modernistas formularam um novo rito de consagração episcopal que é inválido: não pode criar um verdadeiro bispo. (3) alguém que não é um verdadeiro Bispo, naturalmente não pode ordenar um verdadeiro sacerdote e todas as Missas – tradicionais em latim ou Novus Ordo – oferecidas por um sacerdote invalidamente ordenado são igualmente inválidas.

De modo que cerca de quarenta anos mais tarde, quando restavam poucos sacerdotes validamente ordenados, graças ao Rito de Consagração Episcopal pós-conciliar, o modernista Ratzinger (ele mesmo invalidamente consagrado no rito novo) autoriza a Missa Tradicional.

Em conseqüência, como resultado do Motu Proprio, as Missas tradicionais em latim começarão a ser amplamente celebradas em todo o mundo; os cânticos e a música de Palestrina ressonarão magnificamente em igrejas enfeitadas, deslumbrarão os ornamentos de tecidos dourados, nuvens de incenso encherão as absides barrocas, pregadores discretamente proclamarão o retorno ao sagrado, clérigos com rostos solenes oficiarão, seguindo com toda perfeição das rubricas que permitirem os mutilados ritos de João XXIII.

Mas a Missa do Motu será um espetáculo vazio. Sem bispos verdadeiros, não haverá sacerdotes verdadeiros; sem sacerdotes verdadeiros, não haverá Presença Real; sem a presença real, não haverá Deus a receber e adorar – somente pão…

III. Diga não ao Motu…

Em longo prazo, a Missa do Motu contribuirá para o contínuo declínio da religião pós-conciliar e a eventual morte do Vaticano II – o demoníaco bebê de Ratzinger, para o qual o limbo nunca foi uma opção. Perante tudo isso, podemos somente nos alegrar. Em curto prazo, no entanto, muitos tradicionalistas ingênuos se verão atraídos pela Missa do Motu Proprio por conveniência, ou ante a perspectiva de “pertencer” a algo maior.

Porém os aspectos negativos de assistir realmente ao Motu Proprio são puro veneno. Eis aqui dois pontos essenciais para lembrar:

1) Na maioria dos casos, a sua Missa de Motu Proprio local será inválida, porque o sacerdote que a oferece foi ordenado por um bispo invalidamente consagrado. Inclusive alguns paroquianos do Indulto já evitam as Missas dos sacerdotes da FSSP por essa razão.

2) A Missa de Motu forma parte de uma religião falsa. Seguramente, eles têm sua Missa “aprovada” e talvez também seu Catecismo de Baltimore. Mas seus correligionários na Igreja conciliar também têm sua Missa e seu Catecismo, tudo igualmente “aprovado”.

Ao assistir a Missa do Motu, você se converte em parte de tudo isso e afirma que as diferenças entre você e os que seguem o caminho de São Teihard são meramente cosméticas: “legitima diversidade e sensibilidades diferentes, dignas de respeito… estimuladas pelo Espírito” como dizia João Paulo II à FSSP sobre o seu apostolado de oferecer a Missa antiga.

Mas se como fiel católico, desagrada-lhe o pensamento de compromisso com a heresia e de converter-se numa cor a mais no arco-íris litúrgico e doutrinal dos modernistas, há somente uma opção: Diga não ao Motu!

7 de julho de 2007.

NOTAS:

1. Indulto de 1984: para os católicos que estão “apegados” à Missa Tridentina. Carta Ecclesia Dei (1988) de João Paulo II: A Missa antiga forma parte de uma “riqueza para a igreja de uma diversidade de carismas, tradições de espiritualidade e apostolado, que também constituem a beleza da unidade na diversidade; essa “harmonia” combinada que a igreja terrena eleva ao céu sob o impulso do Espírito Santo… deve mostrar-se respeito pelos sentimentos de todos aqueles que estão apegados á tradição litúrgica latina.” João Paulo II dirige-se em 1990 aos beneditinos do Barroux: a Missa Tradicional está permitida porque a Igreja respeita e estimula as qualidades e talentos das diversas raças e nações… “Esta concessão tem por objeto facilitar a união eclesial das pessoas que sentem apego por essas formas litúrgicas” carta do Cardeal Mayer de 1991 aos Bispos dos Estados Unidos: “diversidade” e respeito pelos ‘sentimentos’. Alocução do Cardeal Ratzinger de 1988, em Roma, aos tradicionalistas: “diferente ênfase espiritual e teológica… esta riqueza que pertence á mesma e única fé católica”. Cardeal Castrillón-Hoyos, maio de 2007: “expressão ritual que agrada a alguns… esta sensibilidade”. Ver também a Alocução de João Paulo II a FSSP em outubro de 1998.

2. Certamente, quando a noticia do Motu Proprio começou a circular, os judeus apresentaram protestos contra a restauração das antigas orações por sua conversão. E porque não? Por acaso o Vaticano II não lhes havia assegurado a vitoria?

3. “Ver “absolutamente nulo e totalmente vão”, “Porque os novos bispos não são verdadeiros bispos”, e Sempre nulo e sempre vão”, em www.traditionalmass.org os reformadores mudaram completamente a forma sacramental essencial: a frase do rito que contém todo o necessário e suficiente para consagrar verdadeiramente um bispo. No processo, eliminaram uma ideia fundamental: o poder para conferir Ordens Sagradas que recebe o Bispo. Se se modifica uma forma sacramental de tal modo que se elimine uma ideia essencial, a forma se torna inválida.

 


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