O Poder da Oração – Lição de Catecismo

27.ª Lição de Catecismo da Doutrina Cristã. O Poder da Oração.

I. Os frutos ou vantagens da oração são muitos e por meio deles podemos conhecer melhor o poder desta elevação da alma a Deus para adorá-lo, render-lhe graças e pedir-lhe aquilo que precisamos. Convém ressaltar os seguintes:

(1) A oração é como o incenso na presença de Deus (cf. Sl 140, 2), pois, na prece cristã, honramos a Deus como autor de todos os bens e reconhecemos a nossa dependência enquanto suas criaturas. Por isso, está escrito: “Clama por Mim, no dia da tribulação. Eu te livrarei, e tu me hás de dar honra.” (Sl 49, 15). Com efeito, segundo dizia São Tomás, a oração não é para dar a conhecer a Deus as nossas necessidades, pois Ele já as conhece de antemão, mas antes é para nos dar a conhecer o quanto necessitamos de seu auxílio divino enquanto o reconhecemos e honramos como o Autor e a causa de todos os nossos bens.

(2) A oração é como a chave do céu, pois, ensina Santo Agostinho, “quando sobe a oração, desce a misericórdia de Deus. Por mais baixa que fique a terra, e por mais alto que seja o céu, Deus ouve todavia a linguagem do homem.” (Sermo 47 in append.). Munidos dessa chave, conseguimos a plenitude dos bens celestiais: impetramos que Deus nos conceda o Espírito Santo, como guia e protetor; alcançamos a conservação e integridade da fé, a fuga dos castigos, o amparo divino nas tentações e a vitória sobre o demônio. “Então clamarás, e o Senhor há de ouvir. Gritarás, e Ele há de responder: Já estou aqui.” (Is 58, 9).

(3) A oração também é a mestra que nos conduz à prática e aumento das virtudes de nossa alma, especialmente a fé, mas também de modo muito particular faz crescer em nós a esperança, a caridade, o fervor, a humildade e a coragem.

(4) A oração é a arma poderosa que nos vale contra os mais encarniçados inimigos de nossa natureza, por isso dizia Santo Hilário: “Contra o demônio, e contra o seu poder ofensivo, devemos lutar ao clamor de nossas orações.” (In Ps. 65).

(5) A oração é o remédio que purifica a nossa consciência, dispondo-nos a remover as manchas do pecado e a viver uma vida pura, e não há nada como a oração de homens piedosos para aplacar a ira de Deus contra os crimes dos homens.

II. A oração é tão poderosa que, em muitos casos, já se logrou pela oração cancelar um castigo divino que, de outro modo, cairia sobre os homens. Tamanha é a condescendência de Deus para com os seus servos que, mais de uma vez, deixou-se vencer por suas orações! Eis um exemplo notável: Havendo os israelitas transgredido a lei do Senhor, e feito no deserto um bezerro de ouro para o adorar, Deus, sempre clemente, temeu o poder da intercessão de Moisés, e disse ao seu servo: “Deixa-me desafogar a minha cólera; não te oponhas a que extermine esse povo infiel.” Mas, vencido pelas orações reiteradas de Moisés, o Altíssimo não executou a sentença prometida (cf. Ex 32).

III. Davi, ainda que colocado no trono e ocupado nos negócios do reino, costumava orar sete vezes ao dia, como ele mesmo diz, e levantava-se de noite para o fazer melhor. Inspirado pelo Espírito de Deus, compôs sublimes cânticos, que a Igreja entoa ainda no Ofício Divino. Muitos príncipes ilustres, tais como Carlos Magno, São Luís de França, São Henrique, Imperador, observavam a prática de rezar o Ofício da Santa Igreja, e até levantavam de noite para assistir às Matinas. Todos os Santos, como diz Santo Agostinho, não chegaram a sê-lo, senão pela oração, e as suas vidas não são mais que a vida de homens de oração e meditação.

IV. Se tal é o poder da oração diante de Deus, por que às vezes acontece de não alcançarmos o que pedimos? Isso acontece, porque ou pedimos coisas que não convém à nossa eterna salvação, ou porque não pedimos como deveríamos. Com efeito, Deus procura mais a nossa utilidade e o nosso bem do que nós mesmos, de modo que, se nos nega algo, isso sucede ou para nos conceder benefícios maiores e mais abundantes, ou para nos preservar de algo que, se atendido, nos seria supérfluo ou até prejudicial. No dizer de Santo Agostinho: “Deus nega algumas coisas por misericórdia, e só as concede como sinal de Sua cólera.” (Sermo 58 de verbo Domini).

V. Outras vezes, Deus não nos atende por conta de nossa tibieza e negligência, que pouca atenção dá às palavras que estão sendo ditas durante a oração. Ora, se as fórmulas são ditas temerariamente, sem convicção, sem um esforço de piedade, como poderemos chamar de prece cristã ao vão ruído de tal oração? Não admira, então, que Deus não atenda o nosso pedido, já que pela nossa falta de cuidado e distração, damos mostras de que não queremos realmente o que pedimos. Todavia, aos que rezam com atenção e piedade, Deus concede muito mais do que pediram, pois imensa é a caridade de Deus (cf. Ef 3, 20). Mesmo antes de pedirem, em atenção à reta intenção do coração, Ele enche os tais com a sua graça: “O Senhor ouviu o desejo dos pobres.” (Sl 9, 17; 20, 3; 102, 5).

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