Francisco e a bênção a casais LGBT

Philippe Bordeyne, o novo reitor do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família, tem algo a dizer sobre o tema mais explosivo do momento: a bênção a casais LGBT. Num ensaio publicado em “Transversalités”, revista do Institut Catholique de Paris de que foi reitor, Bordeyne afirma que sim, é bom abençoar os casais homossexuais “quando pedem que a oração da Igreja acompanhe seu amor, sua união”.

Como se verá, sua recente nomeação completa todo um itinerário de mudanças que Francisco vem fazendo nos últimos anos, para melhor acomodar o tal Instituo à sua mentalidade progressita. Para bom entendedor, isso indica claramnte qual lado Francisco tomou nesta controvérsia sobre a bênção a casais LGBT. Mais do que isso: mostra o caráter revolucionário, não só de sua doutrina, mas também de seus métodos.

Para terminar, um breve exame do dito ensaio de Bordeyne nos bastará para revelar o grau de demência teológica de seus conselheiros, que, em nome de uma agenda alheia, desprezam as doutrinas mais elementares do catolicismo sobre a moral cristã, a condição objetiva dos membros mortos na Igreja e o caráter público e doutrinário da Sagrada Liturgia.

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EXCERTOS DA NOTÍCIA “GUERRA EM FAMÍLIA. SOBRE OS CASOS DAS BÊNÇÃOS DE CASAIS HOMOSSEXUAIS, O VATICANO TEM UM INIMIGO EM CASA

Via Settimo Cielo

Philippe Bordeyne, o novo reitor do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família, já pôs as cartas na mesa com antecedência. E o fez precisamente no tema mais explosivo deste momento na Igreja, o da bênção dos casais homossexuais.

Num ensaio publicado em “Transversalités”, revista do Institut Catholique de Paris de que foi reitor, Bordeyne afirma que sim, é bom abençoar os casais homossexuais “quando pedem que a oração da Igreja acompanhe seu amor, sua união”, embora com a dupla precaução de abençoá-los “de preferência” em uma forma litúrgica “de carácter privado” e com uma bênção pessoal para cada um dos membros do casal, “para caracterizar a diferença com relação às orações de bênção nupcial”.

O ensaio merece ser lido na íntegra. Mas isso por si só é suficiente para entender que Bordeyne não está entre os obedientes, mas entre os rebeldes contra o “Responsum” com o qual a Congregação para a Doutrina da Fé proibiu a bênção de casais homossexuais em 15 de março. “Responsum” imediatamente rejeitado por bispos, padres e fiéis, especialmente na Alemanha e arredores, incluindo o cardeal Christoph Schönborn, e, por outra parte, defendido com unhas e dentes por outro cardeal, Camillo Ruini, com o Papa Francisco no meio, que pende para cá e para lá, sem nunca deixar claro de que lado vai terminar.
[…]
Voltando a Bordeyne, eis um pequeno trecho das conclusões de seu ensaio em “Transversalités”, no qual ele aprova a bênção litúrgica de casais do mesmo sexo.

Escrito antes e intitulado “L’Église catholique en travail de discernement face aux unions homosexuelles”, o ensaio saiu à luz nos mesmos dias que o “Respponsum” da Congregação para a Doutrina da Fé que que proibia tal bênção, desobedecendo-lhe de fato.

Será interessante ver como a liderança da Igreja lida com este conflito feroz dentro dos muros do Vaticano sobre uma questão moral tão decisiva para a fé.

*

INSTRUÇÃO SOBRE COMO ABENÇOAR CASAIS HOMOSSEXUAIS

Por Philippe Bordeyne

Todo batizado se beneficia da oração da Igreja e tem o direito fundamental de se beneficiar dela. Portanto, não há dúvida de que as pessoas engajadas em uma união homossexual têm o direito de buscar a ajuda pastoral da Igreja e, particularmente, a ajuda da oração, em seu caminho para a santidade.

Ao mesmo tempo, a Igreja não pode ignorar que certas práticas eclesiais correm o risco de criar confusão sobre a natureza do matrimônio cristão, ou de aumentar a confusão que circula na sociedade sobre a natureza do matrimônio em geral. É necessário, portanto, fazer uma distinção em dois níveis: entre a oração pública e privada, por um lado, e entre a bênção das pessoas e a bênção do casal ou de sua união, por outro.

Em primeiro lugar, quando dois homossexuais pedem a oração da Igreja para acompanhar o seu amor, a sua união ou o filho que acolheram, é preferível uma oração privada para não dar lugar a reivindicações explícitas ou implícitas de legitimação das uniões homossexuais. por analogia com o casamento.

Do mesmo modo, no caso de estar prevista uma oração de bênção, esta deve limitar-se a uma bênção das pessoas, descartando as formulações que evoquem a sua união muito diretamente, para evitar confusão com a bênção ritual de um homem e uma mulher unidos em matrimônio. […] O sinal eclesial de bênção, realizado por um ministro da Igreja, deve portanto ser concedida a duas pessoas que, tendo cada uma feito um juízo de consciência tendo em conta os seus próprios limites, pedem a ajuda da Igreja para crescer em sua disponibilidade para a graça. Especificamente, seria desejável que o ministro procedesse sucessivamente com duas orações pessoais de bênção. […]

Na medida em que a Igreja Católica está em processo de discernimento moral e pastoral em relação às uniões entre pessoas do mesmo sexo, pode-se fazer voto de que aceitará enraizar esta obra na oração litúrgica, lugar por excelência onde Cristo manifesta a sua presença e o seu poder salvífico à sua Igreja.

http://magister.blogautore.espresso.repubblica.it/2021/05/21/guerras-en-familia-sobre-la-bendicion-de-las-parejas-homosexuales-el-vaticano-tiene-un-enemigo-en-casa/

Comentários do Controvérsia Católica:

1 – A afirmação de que Francisco estaria oscilando entre um lado e outro é inadequada e contradiz uma conclusão que não escapou ao próprio articulista do Settimo Cielo, que neste mesmo artigo nos dirá que Francisco é o verdadeiro responsável por uma mudança de rumo no Instituto João Paulo II, que se resume em um processo de exclusão dos estatutos e teólogos mais conservadores, substituídos por outros que pensam à imagem e semelhança de Bergoglio: “Começou há muito tempo,” diz o autor, “principiando com a exclusão, em 2014, por vontade do Papa Francisco, de qualquer representante do Instituto João Paulo II no sínodo sobre a família, isto é, precisamente sobre o tema de sua competência mais específica. Depois veio em 2016 a nomeação do ultrabergogliano Vincenzo Paglia como Grão-Chanceler, seguida no ano seguinte pelo motu proprio com o qual o Papa Francisco mudou o nome do instituto, embora mantendo-o em homenagem a João Paulo II, o fundador. No verão de 2019, os estatutos foram reescritos, o programa de estudos foi refeito e o corpo docente depurado, a começar pelo Reitor Livio Melina. O Papa Emérito Bento XVI também se juntou publicamente ao protesto de professores e alunos. Mas sem nenhum efeito. Até o novo reitor PierAngelo Sequeri – renomado teólogo milanês que inexplicavelmente se adaptou a essa tarefa – logo se viu à margem do novo rumo, pela autonomia de seu pensamento teológico, entre outras coisas porque defende fortemente uma interpretação da muito discutida encíclica “Humanae vitae” de Paulo VI fiel ao seu significado original. Mas agora que Sequeri também foi forçado a se aposentar e foi substituído por Bordeyne, o alinhamento do instituto com o novo curso estabelecido pelo Papa Francisco está praticamente completo.” Nada de novo sob o sol, o que hoje faz Francisco, já havia feito o mesmo Paulo VI na sequência do Vaticano II, limpando as universidades romanos de professores conservadores, dentre os quais se encontrava o grande teólogo e depois bispo sedevacantista, Monsenhor Michel-Louis Guérard des Lauriers.

2 – Quando o sr. Philippe Bordeyne diz que “Todo batizado se beneficia da oração da Igreja e tem o direito fundamental de se beneficiar dela”, ele se esquece que, como a Igreja se compõe de membros vivos e mortos, de bons e maus, de pessoas em estado de graça e de pessoas em pecado mortal, somente não são todos os fiéis que se aproveitam das orações e das graças que a Igreja confere aos seus membros. Conforme ensina o Catecismo Romano, “O gozo desses bens e favores, tão abundantes quão variados, destina-se todavia àqueles que levam uma vida cristã na caridade, e que [por isso] são justos e agradáveis a Deus. Os membros mortos, isto é, os homens cobertos de crimes e apartados da graça divina, não perdem propriamente a regalia de serem membros deste corpo; mas, como membros mortos, ficam privados do fruto espiritual que é a partilha dos justos e piedosos. Ainda assim, uma vez que permanecem no grêmio da Igreja, são ajudados por aqueles que vivem espiritualmente, a recuperarem a graça e vida perdida. Deste modo, recebem ainda alguns frutos, que escapam, sem dúvida alguma, aos que se separaram [totalmente] da Igreja.” (Nono Artigo do Credo, A Comunhão dos Santos).

Logo, essas pessoas que ainda podem ser contadas como membros da Igreja, mas que vivem publicamente em um pecado que brada aos céus por vingança, deveriam ser aconselhadas a dissolverem a tal união pecaminosa para recuperarem a graça e a vida perdida. É isso o que sempre fez a verdadeira Igreja. Enquanto isso não sucede, elas estão privadas da graça e sua condição é extremamente precária, o mesmo Catecismo nos vai descrevê-las como a “palha que na eira se mistura com o trigo, ou como os membros quase mortos, às vezes continuam ligadas ao corpo.”

3 – Outra observação: Philippe Bordeyne fala em uma cerimônia litúrgica privada para distinguir do matrimônio. Mas isso parece ser o mesmo que falar em um ato litúrgico não litúrgico, já que a oração litúrgica dita por um ministro sagrado sempre é pública, pois é uma oração feita em nome da Igreja.

Destas coisas se percebe o nível destes teólogos modernistas: eles mal sabem o Catecismo! Como é que esses ignorantes querem ensinar alguma coisa sobre família cristã e relacionamento entre católicos?

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