O Maior Ensinamento de Jesus sobre Maria – Resposta a Paulo Junior do canal Defesa do Evangelho Oficial

Dedico este artigo a minha filha, Maria Gertrudes,
para que desde pequena aprenda a amar Maria Santíssima,
sua padroeira principal e padroeira de nossa pátria amada
sob o título de Nossa Senhora Aparecida.

INTRODUÇÃO

Dignare me laudare te, Virgo sacrata,
da mihi virtutem contra hostes tuos.

O senhor Paulo Junior do canal Defesa do Evangelho Oficial publicou, no dia 12 de outubro, festa de Nossa Senhora Aparecida, um vídeo intitulado “O Maior Ensino de Maria“, no qual ele afirma que Nossa Senhora teria ensinado sobre si mesma exatamente o oposto do que nós, católicos, cremos sobre ela. Se fosse verdade, seria este um fato bastante inusitado, pois o natural é que mais se conheça o que mais se ama. Apesar disso, ao que tudo indica, parece ao senhor Paulo Junior que aquele povo mais conhecido por honrar a Virgem Maria é aquele que menos a conhece. Será isso verdade?

Como católico praticante e devoto da Virgem Imaculada, penso que estou em posição de julgar o que ele diz sobre Maria e nossas crenças. Acho-me inclusive no dever de defendê-la contra seus ataques, pois é uma questão de fé e de justiça, onde o que está em jogo é o verdadeiro ensinamento de Jesus Cristo sobre sua Mãe Santíssima. Para tanto, responderei, em ordem, a cada um de seus argumentos.

I. A IMACULADA CONCEIÇÃO

Primeiro, o sr. Paulo Junior diz que Nossa Senhora teria ensinado que era uma pecadora, como todas as outras pessoas, tomando por base o fato de Maria ter oferecido, com São José, sacrifícios pelo pecado em Lucas 2, 24, conforme mandava a Lei de Moisés (cf. Lv 12, 8). Segundo ele, esse ato se opõe ao dogma da Imaculada Conceição, isto é, de que Maria teria sido preservada da mancha do pecado original, justamente a doutrina que celebramos no dia 12 de outubro, pois aí nós honramos a Maria como Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida.

É um erro, porém, o que ele afirma, pois seu argumento implicaria que há pecado em Jesus também. Normalmente é assim, ataques a Virgem Maria redundam em ataques ao seu Filho, pois é quase impossível separar Jesus de Maria. Neste caso, em particular, o que o senhor Paulo Junior diz para igualar Nossa Senhora às demais mulheres é justamente o que a torna mais semelhante a Jesus.

Com efeito, em São Lucas 2, 24 se diz que a Santíssima Virgem agiu “conforme o que está mandado na lei do Senhor”, coisa que Nosso Senhor também fez, porque, como nos ensina São Paulo, ele se fez “sujeito à Lei” (Gálatas 4, 4 cf. Atos 15, 5). Veja bem, senhor Paulo Junior, a Virgem Maria está mais próxima de Jesus do que das outras pessoas.

Assim explica um comentador: “A mesma razão que obrigou ao Senhor a mostrar-se em traje de pecador, sujeitando-se à lei da circuncisão, obrigou também a Maria a que parecesse impura, e a sujeitar-se à da purificação, abatendo com este raro exemplo de humildade a soberba dos que, sendo pecadores, impuros e rebeldes, querem ganhar o conceito de bons, limpos e irrepreensíveis.”

Eis então que o verdadeiro ensinamento de Maria que vemos aqui é o de obediência e humildade, o mesmo de seu Santíssimo Filho. Há ainda um motivo adicional: como aprendemos em Mateus 17, 23-26, Nosso Senhor observava a Lei de Moisés, não porque tivesse necessidade, mas para não escandalizar aos demais, que, vendo seu exemplo sem entender suas prerrogativas, sentiriam-se desobrigados a cumprir a Lei, enquanto ela ainda vigorava. Ou seja, também temos aí um exemplo de caridade para com os mais fracos.

Quanto ao dogma da Imaculada Conceição, par usar uma expressão cara ao sr. Paulo Junior, ele está na Bíblia do Gênesis ao Apocalipse. Dele já temos suficiente prova no Proto-Evangelho de Gênesis 3, 15, no qual, ao mesmo tempo em que se anuncia o Redentor do gênero humano (como semente da mulher, uma alusão evidente à concepção virginal do Messias), fala-se em uma verdadeira inimizade entre a mulher e a sua semente, Jesus e Maria, e a serpente e sua semente, o diabo e os ímpios. Tal disputa exige que Nosso Senhor tenha preservado a sua Mãe Santíssima do pecado original, pois, do contrário, ela não estaria do seu lado, mas sob o domínio da serpente. O mesmo se vê representado em Apocalipse 12, quando se vê que em vão a serpente procura atacar à mulher vestida de sol. Por fim, o Antigo Testamento está cheio de figuras da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem, o paraíso terrestre, Eva, a Arca de Noé, a Arca da Aliança etc.

II. A VIRGINDADE PERPÉTUA

Em segundo lugar, diz ele que Nossa Senhora não teria ensinado, nem sido sempre virgem, mas que teria tido outros filhos com São José, negando, deste modo, a Perpétua Virgindade de Maria. Para tanto, alega que os “irmãos do Senhor”, registrados em Marcos 6, 3, seriam filhos da Virgem Maria com São José.

Nem os Evangelistas, nem os Santos Padres chegam a esta conclusão, notado bem a diferença que há entre a “mãe de Jesus” e os “irmãos do Senhor”, sem implicar jamais que estes eram filhos de Maria. Aliás, nem Nosso Senhor o fez, pois caso soubesse que sua Mãe tivesse filhos para ampará-la, não teria dado sua tutela ao discípulo amado, São João, posto que havia quatro “irmãos do Senhor” para cuidarem dela (cf. Jo 19, 27). Diante disso, qualquer pessoa razoável entenderá que “irmãos do Senhor” era apenas um modo de indicar parentes próximos ou primos de Jesus, como se vê em Gênesis 13, 8: ” Disse pois Abrão a Ló: Peço-te que não haja rixas entre mim e ti… visto que somos irmãos.” Como se sabe, Abraão era tio de Ló. Com isso concordam os primeiros historiadores cristãos, Hegesipo e Eusébio de Cesareia, que entendem os irmãos do Senhor como seus primos.

Não há somente esta explicação. Valendo-se do que dizia um apócrifo popular do final do segundo século, o Proto-Evangelho de São Tiago, os Padres do Oriente explicavam que os tais “irmãos do Senhor” eram filhos de um casamento anterior de São José. O que é improvável, mas melhor do que negar a virgindade perpétua, sem base e por pirraça. Melhor ainda é a opinião dos nossos Padres do Ocidente, com São Jerônimo em primeiro lugar, que, por uma engenhosa combinação de versículos, mostram ser os tais irmãos do Senhor filhos da irmã ou cunhada de Nossa Senhora, Maria de Cleófas ou Alfeu.

Abandonado por Jesus, os Evangelistas, os Santos Padres do Oriente e do Ocidente, o sr. Paulo Junior é deixado com dois vis e pouco importantes hereges do quarto e quinto século, Helvídio e Joviniano, na opinião injuriosa de que a Mãe de Jesus não seguiu o exemplo de seu Filho amantíssimo. Pobre homem!

III. CORREDENÇÃO DE MARIA

Em terceiro lugar, o senhor Paulo Junior nos informa que, segundo a própria Virgem Maria, ela não seria corredentora, e aqui não nos dá nenhum versículo sequer que se refira a Nossa Senhora, mas cita a conhecida passagem de Atos 4, 12 (que pensa estar no capítulo 12 de Atos, tomando o versículo pelo capítulo), ali se ensina que não há outro Nome pelo qual devamos ser salvos, senão o de Jesus, um texto que me é muito caro e conhecido, já que tenho especial devoção pelo Santíssimo Nome de Jesus.

Contudo, certamente a Virgem Maria é a primeira a confessar a verdade de que Jesus é o Salvador do gênero humano e seu Salvador pessoal, ela mesma o diz no Magnificat: “A minha alma glorifica o Senhor. E o meu espírito se alegrou por extremo em Deus, meu Salvador.” (Lucas 1, 46-7). Porém, do mesmo modo que é legítimo ao senhor Paulo Junior deduzir da frase “Fazei tudo o que ele vos disser”, dita por Maria aos servos, que ela nos ensina a seguir os ensinamentos de Seu Filho, também é lícito deduzir da frase de Jesus ao discípulo amado: “Filho, eis aí tua mãe” (Jo 19, 27), que Cristo ensina aos discípulos que ama (isto é, aos eleitos) a necessidade de tornar-se verdadeiros filhos de Maria, tributando-lhe todo o cuidado e afeto que lhe dava o próprio Jesus Cristo.

Assim, Nosso Senhor achou conveniente que o verdadeiro cristão o imitasse em tudo, pois quem o segue não andará nas trevas. Ora, em sua vida terrena, a maior parte do tempo passou jesus com Maria. Portanto, do mesmo modo deve ser conosco. É neste sentido que se diz que a devoção a Virgem Maria é moralmente necessária à salvação. Numa palavra: Não pode ter Jesus por irmão, quem não tiver Maria por mãe.

IV. O CULTO A SS. VIRGEM MARIA

Em seguida, depois de expor o dogma católico sobre os graus de culto, conta-nos ele, em seu quarto argumento, que a Virgem Maria jamais promoveu o culto de si mesma, pois em Lucas 4 e Mateus 4, Jesus teria dito a Satanás que somente a Deus se deve render culto, pois o único digno de culto é Deus.

Isto é falso. Embora Nossa Senhora jamais se tenha promovido a si mesma, por ser extremamente humilde, preferindo antes se esconder a revelar seus sublimes privilégios, a mesma, movida pelo Espírito Santo, profetizou o seu culto: “Por ele ter posto os olhos na baixeza da sua escrava: Porque eis aí de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.” (Lucas 1, 48). Ora, o culto que damos a Maria não é mais do que isto: chamá-la de bem-aventurada e pedir sua intercessão diante de seu Filho. O maior ato de culto que há na Igreja é o Santo Sacrifício da Missa, este extremo culto de latria se dirige a Deus, somente a Deus. As orações igualmente se dirigem a Deus. A única diferença que existe, quando há uma festa de Nossa Senhora, é que se pede que a Santíssima Virgem se una às orações que dirigimos a Deus, enquanto e a exaltamos com textos bíblicos tirados do Apocalipse, Salmos, Cânticos etc.

V. O MAIOR ENSINAMENTO DE MARIA

Para terminar, declara o senhor Paulo Junior que o maior ensinamento de Maria é que devemos fazer tudo o que Jesus nos disser, conforme João 2, 5. Logo, a Virgem Maria teria, ao que parece, ensinado algo contra a utilidade da intercessão dos Santos, pois, sendo ela cristocêntrica, como diz o senhor Paulo Junior, sua doutrina nos leva diretamente a Jesus, sem passar pelos Santos. De um modo indireto, Nossa Senhora também teria ensinado a seguir o livre exame da Bíblia Protestante, pois o sr. Paulo Junior crê piamente que tudo o que Jesus disse está exclusivamente contido na Bíblia (do Gênesis ao Apocalipse), e que esta Bíblia não se compõe de outros livros além daqueles 66 da Bíblia Protestante.

A. A INTERCESSÃO DE MARIA

Quanto ao primeiro ponto, a utilidade da oração aos Santos, sabemos que a própria passagem citada desmente a pretensão do sr. Paulo Junior, pois, no sentido mais natural do texto, vemos que Jesus adianta a hora da manifestação de sues milagres em atenção a intercessão de sua mãe pelos noivos. Por fim, a experiência dos séculos e as diversas aparições marianas mostram quão útil e benéfica tem sido a intercessão de Maria a todo o povo cristão, sobretudo pelo Santo Rosário, reforçando já o que se tem dito acima: Jesus ama aqueles que são filhos de Maria e, como filhos, imploram a sua proteção maternal.

B. AS FONTES DA FÉ CRISTÃ

Quanto ao último ponto, a Bíblia claramente nos ensina que o cristão que anuncia uma doutrina diferente daquela dos Apóstolos é um excomungado, está fora da Igreja. Assim diz São Paulo: “Se algum vos anunciar um Evangelho diferente daquele que recebestes: seja anátema.” (Gálatas 1, 9).

Ora, sobre a matéria do que é ou não Palavra de Deus, sabemos que estamos na obrigação de acolher tudo o que nos disseram os Apóstolos, pois Cristo deu-lhes autoridade para falar em Seu Nome:

Lucas 10, 16: “O que a vós ouve, a mim ouve: E o que a vós despreza, a mim despreza. E quem a mim despreza, despreza aquele que me enviou.”

Ora, os Apóstolos escreveram e pregaram de viva voz, e mandaram que observássemos ambas as coisas, isto é, sua palavra escrita e não escrita:

2 Tessalonicenses 2, 14: “E assim, irmãos, estai firmes: E conservai as tradições que aprendestes, ou de palavra, ou por Carta nossa.”

Mandaram ainda evitar os irmãos que não seguissem essa tradição:

Idem 3, 6: “Mas nós vos intimamos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que andar desordenadamente; e não segundo a tradição, que ele e os mais receberam de nós outros.”

Enfim, ordenaram os Apóstolos que essa tradição oral fosse passada adiante para os bispos, cujo dever é guardar o depósito da fé:

2 Timóteo 2, 2: “E guardando o que ouviste da minha boca diante de muitas testemunhas, entrega-o a homens fiéis, que sejam capazes de instruir também a outros.”

A estes homens fiéis, legítimos guardiões da tradição, nós devemos obedecer, porque eles tem o cuidado de nossas almas:

Hebreus 13, 7. 17: “Lembrai-vos dos vossos prelados, que vos falaram a palavra de Deus: Cuja fé haveis de imitar, considerando qual haja sido o fim da sua conversação… Obedecei a vossos Superiores, e sede-lhes sujeitos. Porque eles velam, como quem há de dar conta das vossas almas, para que façam isto com gozo, e não gemendo: Pois, isto é uma coisa que vos não convém…”

No Evangelho do sr. Paulo Junior não há nem tradição não escrita, sem papel e tinta, nem autoridade responsável por transmiti-la aos demais na Igreja. Logo, como o seu Evangelho é diferente daquele dos Apóstolos, no qual ambas as coisas existem, nós o devemos ter como um excomungado e evitar comunhão com ele nas coisas sagradas, até que se converta. Por outra parte, a doutrina apostólica se identifica inteiramente com a doutrina do Concilio de Trento, que ensina a existência de ambas as fontes de fé, a Bíblia e a Tradição Apostólica, bem como do Magistério Eclesiástico como seu legítimo intérprete.

Que, pela intercessão poderosa da Santíssima Virgem, Deus conceda a Paulo Junior o dom da verdadeira fé e a graça inestimável de tornar-se um filho de Maria e discípulo amado de Jesus. “Filho, eis aí a tua mãe!”

APÊNDICE – A RAZÃO DA POPULARIDADE DO ERRO E O SEU REMÉDIO

Há um provérbio que bem descreve a situação do senhor Paulo Junior: em terra de cego, quem tem um olho é rei. Assim, como em nosso tempo, vivemos em meio a mais lamentável ignorância religiosa, alguém que ostente algum conhecimento da Bíblia, por ínfimo que seja, logo aparece para as multidões como um verdadeiro profeta.

Não obstante, o alegado profeta é deveras defeituoso: tem um olho a menos, todo em trevas, e jamais conseguirá formar uma imagem completa das coisas à sua frente. Ele tomará a parte pelo todo e assim pensará muitas vezes que aquilo que ele consegue enxergar é tudo o que existe. Pior: pensará ele que metade da realidade é escuridão, quando na verdade é a mais pura luz, sem a qual ele facilmente tropeçará no caminho. Infelizmente, cairá muitas vezes e, em meio as quedas, não culpará a sua limitação visual, mas imputará a culpa naquela metade inacessível, que insiste em existir, não obstante a sua ignorância dela.

O que é esta coisa que o sr. Paulo Junior ignora por completo? É a Tradição, tão importante no Antigo quanto no Novo Testamento, tão natural e necessária ao homem para sua formação. Desta tradição de pais para filhos, de mestres para discípulos, passada de geração em geração, que deve ser respeitada e observada, nos falam as próprias Escrituras:

Deuteronômio 32, 7: “Consulta os séculos antigos, considera o que se tem passado no decurso de todas as gerações: pergunta aos teus maiores, e eles te dirão.”

Salmo 43, 2: “Nós, ó Deus, com as nossas orelhas ouvimos: Nossos pais nos anunciaram. A obra que fizeste nos dias deles, e nos dias antigos.”

Salmo 77, 3-7: “Quantas coisas ouvimos, e as temos entendido: E nô-las contaram nossos pais. Eles não as ocultaram a seus filhos, nem à seguinte geração. Contando os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que ele obrou. Estabeleceu testemunho em Jacó: E pôs lei em Israel. As quais coisas mandou ele a nossos pais que fizessem conhecer a seus filhos: Para que as soubesse a geração seguinte. Os filhos que hão de nascer, e se hão de levantar, o contarão também a seus filhos, para que ponham em Deus a sua esperança, e não se esqueçam das obras de Deus: E busquem com cuidado os seus mandamentos.”

No Novo Testamento, encontramos argumento decisivo em 2 Timóteo 2, 2: “E guardando o que ouviste da minha boca diante de muitas testemunhas, entrega-o a homens fiéis, que sejam capazes de instruir também a outros.” Ou seja, no Novo Testamento, assim como no Velho, também há uma tradição oral e pessoas responsáveis por transmitir este ensinamento aos demais.

Sobre isso, é particularmente esclarecedor o comentário a esta passagem que encontramos na Bíblia da LEB de 1950: “Deste verso se colhe com toda a evidência, que afora as coisas que os Apóstolos deixaram por escrito e que hoje lemos nas suas epístolas, ensinavam eles outras muitas pertencentes à fé e aos costumes, instruindo nelas de viva voz aos primeiros bispos, e mandando que estes as comunicassem a outros de igual fidelidade, para deste modo ir passando de mão em mão o sagrado depósito da doutrina evangélica, e conservando-se sucessivamente no corpo dos pastores eclesiásticos até ao fim do mundo, sem interrupção nem alteração no que toca à substância dos dogmas e da moral cristã. Nesta classe de doutrinas, comunicadas de palavra pelos Apóstolos aos primeiros sucessores, devemos ter por certo que entravam muitos pertencentes à genuína inteligência das Escrituras, às matérias e formas dos sacramentos, e· ao uso de certos ritos na administração dos mesmos sacramentos. E como se não pode também duvidar que o que os Apóstolos, como primeiros mestres da igreja, depois de Cristo, ensinavam aos bispos que lhes haviam de suceder, era por revelação e inspiração divina, que para isso tinham, segue-se daqui que as tradições que eles nos deixaram sobre o dogma ou sobre a moral, devem ter tanta força para obrigarem a nossa fé, como a têm os seus escritos. E isto é o que justamente definiu o sagrado concilio de Trento, na sessão 4, contra os modernos hereges, que só admitiam por regra dá fé as Escrituras, com exclusão de tudo o que não constasse delas expressamente. Neste ponto da autoridade das tradições, é especialmente digno de se ler o que escreve Mr. d’Argentré nos seus Elementos Teológicos.”

Além disso, ainda que a Bíblia nada dissesse sobre isso, a própria razão nos obrigaria a aceitar a tradição, porque sem a tradição e a autoridade da Igreja é impossível a fé nas mesmas Escrituras, pois nós recebemos a Bíblia por tradição e cremos na lista dos livros sagrados pela autoridade da Igreja.

Então o grande erro do sr. Paulo Junior é a sua conclusão: tudo o que Nosso Senhor disse está nos 66 livros da Bíblia Protestante. Não há nada mais falso do que isso: Nosso Senhor e os Apóstolos disseram muitas outras coisas importantes que não estão na Bíblia, coisas que os Apóstolos confiaram aos Bispos não por meio de cartas, mas por palavra de boca e que sempre foram observadas pela Igreja, tal é o caso da liturgia, do batismo de crianças, da observância do domingo e tantas outras coisas que mesmo os protestantes seguem, só que de maneira incoerente com a sua própria heresia. Aqui convém citar alguns versículos bíblicos que disso dão testemunho, para que fique clara a enormidade da impostura do sr. Paulo Junior:

2 João 12: “Posto que eu tinha mais coisas que vos escrever, eu o não quis fazer por papel e tinta: Porque espero ser convosco, e falar-vos cara a cara: Para que o vosso gosto seja perfeito.”

3 João 13: “Eu tinha mais coisas que te escrever: Mas não quis fazê-lo por tinta e pena.”

Todos os grandes tropeços do sr. Paulo Junior, que vimos ao longo deste breve exame, explicam-se facilmente por este fato: ele nega a tradição apostólica, ele rejeita o ensinamento tradicional da Igreja. Assim fazendo, ele se afasta da verdade que Cristo e os Apóstolos nos quiseram comunicar por meio da tradição e do Magistério da Igreja.

A solução não pode ser outra senão sua conversão à religião tradicional, ao catolicismo de sempre, sem compromissos com as línguas pervertidas dos hereges. Este é o remédio simples e eficaz.

Um comentário em “O Maior Ensinamento de Jesus sobre Maria – Resposta a Paulo Junior do canal Defesa do Evangelho Oficial

  1. Parabéns pela defesa e o ensinamento postado aqui. Aprendo muito. Gostaria de comentar algo: como muitos Santos e Doutores da Igreja já afimaram no passado longínquo e mais recente que o diabo sempre ataca a Mãe de Deus para atingir o Filho mesmo o diabo ter temor do poder da Mãe de Deus. Portanto, esses especialistas gnósticos, judeus e protestantes sempre serão usados como instrumento do mal para atacar a Mãe de Deus. Parece é apenas um conto, um comentário, mas não, a Santa Igreja Católica sempre afirmou isso. Infelizes desses que atacam a Mãe de Deus por vaidade, falta de inteligência, caráter, por desespero e por pura maldade.

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