Carlos Nougué: o Naturalismo Mascarado

CARLOS NOGUÉ: O NATURALISMO MASCARADO

Resposta ao Terceiro Erro Central do sr. Carlos Nougué sobre o sedevacantismo.
 
TERCEIRO ARGUMENTO
1) Os sedevacantistas dizem que os verdadeiros católicos podem ser dirigidos, em caso de sedevacância, pelo próprio Espírito Santo, ou seja, invisivelmente.
2) Mas ser dirigido de todo invisivelmente é próprio do anjo e não condiz com a natureza também carnal do homem.
3) Foi exatamente porque o homem não é um anjo e é também de carne que Deus mesmo se encarnou.
4) E é também por isso que Pio XII em sua encíclica “Mystici Corporis” diz que a Igreja não é nem nunca será pneumática, ou seja, de puros laços espirituais e sem hierarquia visível.
5) Vê-se assim que o sedevacantismo infringe uma vez mais algo afirmado pelo magistério, além de sustentar algo muito inconveniente do próprio ângulo puramente racional.
 
DOS ANJOS ÀS BESTAS
 
Os dois primeiros argumentos continham má interpretação do Concílio do Vaticano e de Mateus 16,18. Este terceiro argumento, porém, inventa uma tese que não existe: “os sedevacantistas dizem que os verdadeiros católicos podem ser dirigidos, em caso de sedevacância, pelo próprio Espírito Santo, ou seja, invisivelmente”.
 
Não é difícil de entender o porquê o sr. Nougué pensa que pensamos assim: em seu universo naturalista, a falta do ocupante do ofício papal significa sua extinção, destruição da sociedade e descumprimento da promessa de Cristo. O ocupante pode ser um papa inútil, falível, defectível e transformar a Igreja igualmente em uma instituição inútil, falível e defectível, mas ele precisa estar lá. Não importa que ele tenha que ser corrigido a todo momento por pessoas mais esclarecidas sobre a Tradição da Igreja como o sr. Nougué… ele precisa estar lá, ainda que, estando lá, ele muito ajuda quando não atrapalha.
 
Este é certamente uma conceito naturalista ou carnal do Papado e da Igreja, e não somente isto: ele nega as prerrogativas da Santa Sé e as propriedades da Igreja. O sr. Nougué alegadamente deseja evitar a crença em uma suposta alma sem corpo pela crença em um corpo sem alma, eis que fomos dos anjos às bestas.
 
O PAPADO É PERPÉTUO E A IGREJA VISÍVEL
 
No entanto, não é necessário perder-se neste dilema insolúvel entre anjos e bestas. Com efeito, a premissa maior do sr. Nougué é uma criação dele, fundada em seus próprios preconceitos, e não uma tese sedevacantista. Como foi visto na resposta aos dois primeiros argumentos, o Papado é perpétuo e a Igreja não morre. Portanto, ela continua sendo visível, indefectível e infalível.
 
“Ninguém está sugerindo ou implicando que o papado não seja essencial para a constituição da Igreja, pois ele certamente é. Mas o papado continua existindo mesmo quando não há um papa reinante, como Cardeal Franzelin explica… Em algum momento de seu ensaio, Michael Davies sugere que a tese sede vacante entra em conflito com a visibilidade da Igreja. Contudo, não há fundamento para sustentar que a Igreja é invisível quando perde grande massa de seus prelados.* Nem é a Igreja invisível se os seus membros são drasticamente reduzidos em número: de fato, houve um tempo em que a Igreja inteira estava confinada em um único cômodo (At 1, 15 e At 2, 1). Portanto, não importa o quanto Davies insista na indefectibilidade da constituição divina da Igreja, tudo isso não serve de nada; pois, embora seja verdade que a indefectibilidade da constituição divina é um dogma, é igualmente verdade que não existe incompatibilidade entre este dogma e a presente situação, na qual o ofício papal e praticamente todos os ofícios episcopais estão vacantes.”
 
“* – Mons. J. Hagan: A Compendium of Catechetical Instruction, Intrução 332 escreve: Quando dizemos que a sociedade é visível não queremos meramente dizer que é composta de seres humanos, mas queremos dizer que existe algo em sua constituição que a caracteriza, identifica e habilita a distinguir-se das outras sociedades com as quais entre em contato…”
 
“De fato, mesmo uma sociedade secreta deve ser uma sociedade visível, uma vez que mesmo uma sociedade secreta deve ter sua própria constituição e organização… Do mesmo modo, em tempos de perseguição, a Igreja frequentemente esteve escondida, e poderia em certas circunstâncias ser considerada uma sociedade secreta; mas mesmo então ela tinha sua própria constituição e organização do mesmo modo que em seus dias plenos de prosperidade, e assim sempre foi uma sociedade visível.”
 
(John S. Daly. Michael Davies: An Evaluation. Rouchas Sud: Tradibooks, 2015, p. 140)
 
A VISIBILIDADE FORMAL DA IGREJA
 
A Igreja é visível no sentido que é uma sociedade, mas também é visível no sentido que é sobrenatural. É exatamente isso o que está implicado na definição da Igreja como Corpo Místico de Cristo. Portanto, o sr. Nougué conta apenas metade da história. Se o aspecto jurídico a torna uma sociedade, a posse da fé sobrenatural a torna distinta de todas as demais sociedades. Esse aspecto formal é indispensável para a Igreja, sem esta visibilidade formal seria impossível distinguir a Igreja Católica das seitas que certamente possuem um aspecto jurídico, mas não possuem a fé verdadeira.
 
Já que Nougué citou a encíclica do Papa Pio XII, convém lembrá-lo que a mesma encíclica diz o seguinte sobre os membros da Igreja:
 
“Como membros da Igreja contam-se realmente só aqueles que receberam o batismo e professam a verdadeira fé, nem se separaram voluntariamente do organismo do corpo, ou não foram dele cortados pela legítima autoridade em razão de culpas gravíssimas… Nem todos os pecados, embora graves, são de sua natureza tais que separem o homem do corpo da Igreja como fazem os cismas, a heresia e a apostasia.” (Papa Pio XII, Encíclica Mystici Corporis, nn. 22-23)
 
Professar a fé é algo externo e tem de ser assim, pois a Igreja tem de ser visível. Se pessoas que externamente negam a fé fossem contadas como membros da Igreja, então a Igreja deixaria de ser visível. Ora, este é precisamente o caso de Francisco: ele não professa a fé da Igreja. Então, temos duas opções:
 
1) Ou Francisco não é um verdadeiro papa e a visibilidade da Igreja é preservada;
 
2) Ou Francisco é um verdadeiro papa e a visibilidade da Igreja desaparece.
 
Os sedevacantistas defendem o primeiro ponto e assim conservam a real visibilidade da Igreja. O sr. Nogué defende o segundo ponto e assim destrói com a visibilidade do Corpo Místico, aderindo sem o dizer ao conceito pós-conciliar de Igreja-Comunhão, isto é, existem vários graus de comunhão na Igreja, uns são mais plenamente católicos do que outros. Certamente isso implica a criação de um monstro ecumênico que nada tem a ver com a doutrina ensinada pelo Papa Pio XII.
 
APÊNDICE
 
O CONCEITO HERÉTICO DE IGREJA-COMUNHÃO
 
Bento XVI, quando ainda era Joseph Ratzinger, foi um expoente teológico do modernismo durante o Vaticano II, e deixou um longo rastro de escritos contendo seus erros. Ele foi o arquiteto chefe da nova teologia que postulava um “Povo de Deus” e uma “Igreja de Cristo” não idêntica à Igreja Católica Romana – uma Super-Igreja ou uma Igreja ecumênica criada a partir de “elementos” da verdadeira Igreja que são ou possuídos plenamente pelos católicos ou parcialmente pelos hereges e cismáticos.
 
O esparadrapo que sustentava essa besta ecumênica era a noção de Ratzinger de Igreja como “comunhão”. Como Cardeal e consultor doutrinal chefe de João Paulo II ele desenvolveu essa ideia na carta da Congregação para Doutrina da Fé (CDF) sobre A Igreja Comunhão, na Declaração Dominus Iesus, no Código de Direito Canônico de 83 e no Catecismo de 92.
 
Vejamos algumas proposições típicas dos ensinamentos de Ratzinger:
 
Corpos cismáticos são “Igrejas particulares” unidas a Igreja Católica por “estreitíssimos vínculos”. (Communion 17, ver nota 1)
 
A igreja universal é o “corpo das igrejas particulares” (ibid. 8)
 
Igrejas cismáticas tem uma existência “ferida”. (ibid. 17)
 
A “Igreja Universal torna-se presente nelas [as igrejas particulares] em todos os seus elementos essenciais” (ibid. 17).
 
A Igreja de Cristo está “presente e ativa” nas igrejas que rejeitam o papado. (Dominus Iesus 17)
 
Pelo batismo a pessoa torna-se membro do “Povo de Deus” (Catecismo 782)
 
Todo esse Povo de Deus participa no ofício de Cristo. (ibid. 783)
 
O corpo de Cristo, a Igreja, está “ferido” (ibid. 817)
 
O Espírito de Cristo utiliza-se de corpos heréticos e cismáticos como “meios de salvação.” (ibid. 819)
 
Cada “igreja particular” é “católica”, porém algumas são “plenamente católicas”.(ibid. 832, 834)
 
Esses ensinamentos são contrários ao artigo da Fé Divina e Católica: “Creio na Igreja Una, Santa…”. “Una” no Credo se refere à propriedade da Igreja pela qual ela é “indivisa em si mesma e separada de qualquer outra” na fé, na disciplina e no culto. Os ensinamentos de Ratzinger são também contrários ao ensinamento dos Padres da Igreja e do magistério ordinário universal que afirmam que os hereges estão “fora da comunhão católica e são estranhos à Igreja” (Papa Leão XIII)
 
(Extraído do texto Tradicionalistas, a Infalibilidade e o Papa de Padre Anthony Cekada, http://catolicoromano.com.br/tradicionalistas-infalibilidade-e-o-papa/)
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