Culpado, culpado, culpado!

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CULPADO, CULPADO, CULPADO

Youcat Bento XVI
Na foto: O Youcat (“catecismo juvenil”) publicado sob o não-papado de Bento XVI.

Por Sua Excelência Reverendíssima Monsenhor Donald J. Sanborn
In Veritate, 22 de junho de 2018

Nos três países, Irlanda, Argentina e Polônia, a culpa pelo abandono da moralidade católica deve ser imputada ao clero Novus Ordo. De todos os países do mundo, esses três estão entre os mais predominantemente católicos, e o clero estava em uma posição perfeita para influenciar, separando a população das atrocidades morais modernas.

Na década de 1950, quando os Estados Unidos tinha 25% de católicos (agora tem apenas cerca de 20%), o clero católico podia manter a sujo, imunda indústria de Hollywood em relativamente bom estado, graças a uma instituição maravilhosa conhecida como a Legião de Decência. Os roteiros deviam ser alterados e as cenas [imorais] apagadas pelos produtores de Hollywood para obter a aprovação da Legião. Na escola católica, lembro-me de receber uma folha mimeografada toda semana que indicava quais filmes estavam sendo exibidos nos cinemas locais, e cada filme recebia uma classificação da Legião. A-1 era para patrocínio geral; A-2 era para adultos e adolescentes; A-3 para adultos; B era chamada de “moralmente censurável em parte a todos”. C era “condenada”, algo reservado à pornografia pura.

Eles nos diziam que era um pecado mortal assistir a um filme B, e isso incluía adultos. Todos os anos, no dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição, toda a paróquia ficava na Missa, no momento dos anúncios, e recitava o juramento da Legião da Decência, pelo qual se prometia não assistir aos filmes sujos. Na minha casa, o folha que recebíamos na escola era colocada na cozinha. Qualquer permissão para ir ver um filme era imediatamente submetida à revisão da qualificação concedida pela Legião da Decência.

Menciono isso para mostrar o tremendo poder da Igreja Católica em um país protestante, os Estados Unidos, para influenciar a moralidade pública.

O declínio da moral entre os católicos deve ser atribuído ao clero Novus Ordo. Embora seja verdade que vários deles têm lutado contra a imoralidade pública, seja em sermões ou nos meios de comunicação, eles são infelizmente poucos e, na maioria dos casos, não têm o apoio da hierarquia Novus Ordo

Se os bispos da Irlanda, Argentina e Polônia tivessem feito um esforço concertado contra a legalização desses pecados malignos, essas ofensas contra a lei de Deus não teriam passado.

O Vaticano II é a causa da decadência moral, já que sua alma é o relativismo em relação à verdade. Assim como a objetividade da verdade caracterizou o catolicismo antes do Vaticano II, tanto no dogma quanto na moral, esse novo relativismo é o que permeia toda a era pós-Vaticano II. O filho mais velho deste relativismo é o ecumenismo, que afirma que as religiões não-católicas são meios de salvação. Implícito nessa declaração é que Deus não se importa com a religião a qual você pertence, ou com os dogmas que você adere, contanto que você tenha um relacionamento pessoal interior com ele. Neste sistema, todas as religiões são verdadeiras e todas são formas de salvação. A irmãzinha feia do ecumenismo é a liberdade religiosa, pela qual a consciência é exaltada acima do magistério da Igreja,

Esse relativismo em relação à verdade é o que destruiu o catolicismo em todas as instituições que já foram católicas. Também destruiu a capacidade do clero de insistir na moral católica na esfera pública. Destruiu a unidade da fé entre os católicos, o rótulo “católico” agora se refere apenas à adesão a uma instituição, mas não a um conjunto de princípios dogmáticos ou morais. Adicione a isto às outras ideias do Novus Ordo que foram popularmente espalhadas por esta nova religião, como “todos vão para o céu” e “não há inferno” e “todos nós adoramos o mesmo Deus”. O resultado é um clero irresponsável e inútil, incapaz de transmitir a fé católica.

Seus sermões são chatos e triviais, não se importam com o dogma católico e a moral objetiva, mas com ideias puramente naturalistas de ser bom ao próximo, preocupar-e com o meio ambiente e ser “simpático” em geral. Os sermões fúnebres não tratam mais do purgatório e do juízo, mas do fato de que o falecido está no céu, geralmente jogando golfe com Deus, ou cortando a grama dele ou fazendo spaghetti (se for italiano) ou alguma outra atividade enfadonha ou boba que tenha caracterizado o falecido nesta vida.

Devemos acrescentar ainda mais o efeito dos novos catecismos, que surgiram na década de 1960, e que, por não apresentarem a fé católica com um método objetivo de perguntas e respostas, arruinou a virtude da fé dos católicos a eles submetidos. Eles apresentavam a doutrina tipicamente modernista de que Deus é descoberto através de uma experiência religiosa pessoal, e não através do conhecimento dos dogmas que se adere pela virtude da fé. Modernismo é o inimigo mortal da virtude da fé, e vimos o resultado desse envenenamento das almas na imoralidade pública e, o que é pior, na legalização da imoralidade: de fato na legalização do assassinato de bebês e do vício contra a natureza, abominações aos olhos de Deus acontecendo em países que antes eram incondicionalmente católicos.

O clero Novus Ordo, como um todo, e com poucas exceções, é culpado dessa apostasia moral e tem em suas mãos o sangue dos bebês inocentes que serão abortados nesses países outrora católicos.

Bergoglio disse alguma coisa aos eleitores católicos na Irlanda antes do referendo? Nem uma só palavra. Ele ao menos interveio em seu próprio país para impedir a legalização do aborto na Argentina? Não, absolutamente não.

Em relação ao vício antinatural, ele disse recentemente a um homem “homossexual” que Deus lhe fez assim. Ele endereçou essas palavras para um Juan Carlos, que é uma das vítimas de abuso sexual no Chile pelo clero Novus Ordo: “Juan Carlos, se você é gay, não importa, Deus fez você assim e ele ama você assim e eu não me importo. O Papa ama você como você é, você tem que estar feliz com quem você é. ”

As implicações dessa afirmação são blasfemas e moralmente desastrosas em relação a Juan Carlos. É uma blasfêmia, na medida em que faz de Deus a causa do que é claramente uma desordem. Seria como dizer a uma pessoa nascida com distrofia muscular (uma doença genética muito debilitante) que “Deus fez você desse jeito” e que “você tem que estar feliz com quem você é”. Ou seria o mesmo que dizer a um eletricista que é tão maluco que acredita que conectores machos devem ser ligados a outros conectores machos e os conectores fêmeas a outros fêmeas, que “Deus fez você desse jeito e ele ama você desse jeito”. O comentário também encoraja Juan Carlos a agir de acordo com seu apetite desordenado.

Implícita nessa declaração de Bergoglio, que está em total acordo com muitas outras declarações e ações dele, é que o apetite justifica o objeto do apetite. Em outras palavras, “se estou inclinado a isso, deve ser bom, já que encontro esse impulso dentro de mim”. Essa atitude, que prevalece em toda a sociedade moderna, é típica da doença intelectual moderna do relativismo, ou seja, de que não há normas objetivas, mas sim o sujeito (a pessoa) que determina o objeto. Em outras palavras, “algo é bom porque eu quero” e não o contrário, isto é, “eu quero algo porque é a coisa certa a fazer”. O mesmo acontece com a religião: “Algo é verdadeiro porque acredito” e não “acredito em algo porque é verdadeiro”.

Se aplicarmos esse princípio do apetite que justifica o objeto do apetite, os efeitos são horripilantes. E as pessoas que têm o objeto de cobiçar o assassinato e o desmembramento de outras pessoas? Este é um verdadeiro apetite em algumas pessoas.

Não é de admirar que quase todos os casos de abuso infantil no clero católico tenham ocorrido depois do Vaticano II. Porque o subjetivismo e o relativismo desencadeados pelo Concílio provocaram o colapso de todas as restrições da santa pureza, tão intrínsecas à espiritualidade católica, e especialmente à pureza dos sacerdotes. Havia um espírito de “todo o Inferno correndo solto” depois do Concílio, um espírito de revolução contra as restrições tradicionais de moral exigidas dos sacerdotes. Isso porque o Concílio causou, particularmente no clero, que entendia os princípios do Concílio e era mais afetado por eles, um enfraquecimento ou um franco abandono da fé, especialmente na sacralidade de seu próprio sacerdócio.

A Nova Missa fez muito para promover essa decomposição da virtude da fé, já que reduziu o padre a um mero presidente, presidindo uma liturgia protestantizada e centrada no homem, ditada pelo que o Padre Cekada chamou de o Soviete das Damas, isto é, o comitê litúrgico paroquial cujos membros eram principalmente senhoras rabugentas, teimosas e dominadoras. Dada a desprestigiação do padre, e dado o princípio geral de que o apetite justifica o objeto de seu apetite e dado o abandono da espiritualidade tradicional de mortificar as más inclinações de si mesmo, o efeito era quase inevitável: qualquer um inclinado a abusar de uma criança usaria o ponto privilegiado de seu sacerdócio para atrair jovens incautos e confiantes para graves pecados de impureza.

Outro elemento muito sério que contribuiu para a imoralidade do clero depois do Vaticano II foi o abandono da veste clerical. A lei canônica tradicional exigia que os padres usassem vestes clericais em todos os seus momentos em público, a menos que houvesse uma razão séria para que eles não o fizessem. (Portanto, obviamente, não é necessário que um padre use o colarinho quando estiver nadando ou acampando). A maioria dos padres Novus Ordo hoje é irreconhecível como sacerdotes por suas roupas, o que faz com que relaxem demais em público, tornando-se “um dos garotos” e permitindo-lhes fazer coisas imorais sem serem notados como clérigos. A lei canônica tradicional afirma que um padre cometeria um pecado mortal por mais de três dias sem traje clerical, se não tivesse uma motivo grave.

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